Italo Calvino em seu texto "O modelo dos modelos", nos leva a refletir sobre o modo como idealizamos as coisas, pessoas ou situações: o PERFEITO. Quando assim não o temos, procuramos moldá-los para atender os nossos objetivos. Fazendo um paralelo com a História da Educação no nosso país, podemos encontrar grandes semelhanças, onde só o perfeito se enquadrava naquele modelo de ensino. Mas, assim como na realidade, no texto também essa regra não funcionou e, " [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos[...]" e a educação brasileira passa a ter uma nova visão de ensino e aprendizagem, e vários modelos e métodos de ensino tomam conta das nossas escolas com o objetivo de alcançar diversos tipos de clientela.
Seguindo o curso do texto, " [...] o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.[...] " E aí surge a Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, garantindo a acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares.
Então, " [...] Neste ponto, só restava à Palomar apagar da mente os modelos e os modelos dos modelos [...]". E aí, chegamos às nossas salas de AEE, onde não existe modelo padronizado, onde cada ser é um ser diferente. Onde o aluno não é visto pela sua deficiência, mas pelo que é capaz de produzir, pelas suas potencialidades. Onde temos que apagar das nossas mentes todos os modelos adquiridos ao longo de nossas vidas e mergulhar no universo de cada um daqueles alunos que recebemos e torná-los agentes de sua própria história. Essa é a linha de conduta da qual podemos extrair satisfações especiais e é extremamente praticável.

