sexta-feira, 7 de março de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ

             A educação de pessoas surdas começa a mais ou menos dois séculos atrás, baseada em opções teóricas que se situaram entre dois eixos extremos: o oralismo e a posição gestualista. A posição oralista restrita se define como aquela que aceita a linguagem oral como única e exclusiva. Nela, a criança surda é treinada a desenvolver seus resíduos auditivos, aprendizado da leitura labial e é encorajada a usar a fala para se comunicar. Já a posição gestualista, propõe à pessoa surda desde a infância um meio de comunicação visuo-manual, que lhe é visivelmente acessível.
             A evolução atual tende para uma síntese e uma abrangência dessas duas tendências sob a forma de diferentes filosofias, como o Bilinguismo e a Comunicação Total. Visando o desenvolvimento dos potenciais cognitivos, linguísticos, emocionais e sociais, esses métodos de trabalho são propostos no sentido de suprir as dificuldades apresentadas pelas pessoas com surdez. A Comunicação Total visa que o indivíduo surdo seja capaz de comunicar-se, não importa qual seja a modalidade. A comunicação efetiva é o objetivo final desta filosofia. A Proposta Bilíngue de Educação do Surdo que surgiu no final na década de 70, propõe que o surdo seja visto como um ser diferente e não deficiente. Esta proposta não privilegia uma língua, mas quer dar direitos e condições ao indivíduo surdo de poder utilizar duas línguas: a língua da comunidade ouvinte e a língua da comunidade surda, utilizando-as em situações linguística distintas.
            O ingresso das pessoas com surdez na escola comum ainda é visto com muito preconceito, desvalorizando o potencial dessas pessoas em relação a aprendizagem. E, ao ingressar, muitas vezes não obtém o sucesso esperado. Damázio( 2005, p. 48) nos chama a atenção para uma questão que pode explicar esse fracasso.
 [...] O problema da educação das pessoas com surdez não pode continuar              sendo centrado nessa ou naquela língua, como ficou até agora, mas deve levar-nos a compreender que o fracasso escolar não está só nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas.[...]
            Sabemos que a pessoa com surdez é capaz como ser de consciência, pensamento e linguagem e que, independente da sua perda sensorial pode sim aprender, o que falta são práticas pedagógicas diferenciadas, meios alternativos para que a aprendizagem aconteça de fato.
            No Brasil, o Decreto 5.626 de 05 de Dezembro de 2005, determina o direito de uma educação que garanta a formação a pessoa com surdez, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, principalmente na modalidade escrita, constituam línguas de instrução , e que o acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo.
            O trabalho pedagógico com os alunos com surdez nas escolas comuns, deve ser desenvolvido em um ambiente bilíngue, dividido em três momentos: Atendimento Educacional Especializado em Libras, em que todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares, são explicados nessa língua por um professor, sendo o mesmo preferencialmente surdo, contribuindo para que o aluno com surdez participe das aulas, compreendendo o que é tratado pelo professor e interagindo com os colegas; Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras, no qual os alunos com surdez terão aula de Libras, favorecendo o conhecimento e a aquisição principalmente de termos científicos e o Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa, cujo objetivo é desenvolver a competência linguística, bem como textual, dos alunos com surdez, para que sejam capazes de ler e escrever em Língua Portuguesa.


Um comentário:

  1. Boa noite Silvia´
    O conteúdo apresentado sobre a educação de pessoas com surdez, nos remetem a reflexões sobre o que realmente o nosso modelo de educação atual favorece a essas pessoas. Pois na lei tudo é muito claro no que diz respeito aos direitos das pessoas surdas, porém na prática isso é bem mais complexo. Mas já evoluímos muito, e com certeza mesmo com todas as dificuldades existentes evoluiremos muito mais, e nossa intervenção como professoras de AEE tem uma grande importância no meio escolar.

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