EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ
A educação de pessoas surdas
começa a mais ou menos dois séculos atrás, baseada em opções teóricas que se
situaram entre dois eixos extremos: o oralismo e a posição gestualista. A
posição oralista restrita se define como aquela que aceita a linguagem oral
como única e exclusiva. Nela, a criança surda é treinada a desenvolver seus
resíduos auditivos, aprendizado da leitura labial e é encorajada a usar a fala
para se comunicar. Já a posição gestualista, propõe à pessoa surda desde a
infância um meio de comunicação visuo-manual, que lhe é visivelmente acessível.
A evolução atual tende para uma síntese e uma
abrangência dessas duas tendências sob a forma de diferentes filosofias, como o
Bilinguismo e a Comunicação Total. Visando o desenvolvimento dos potenciais
cognitivos, linguísticos, emocionais e sociais, esses métodos de trabalho são
propostos no sentido de suprir as dificuldades apresentadas pelas pessoas com
surdez. A Comunicação Total visa que o indivíduo surdo seja capaz de
comunicar-se, não importa qual seja a modalidade. A comunicação efetiva é o
objetivo final desta filosofia. A Proposta Bilíngue de Educação do Surdo que
surgiu no final na década de 70, propõe que o surdo seja visto como um ser
diferente e não deficiente. Esta proposta não privilegia uma língua, mas quer
dar direitos e condições ao indivíduo surdo de poder utilizar duas línguas: a
língua da comunidade ouvinte e a língua da comunidade surda, utilizando-as em
situações linguística distintas.
O ingresso das pessoas com surdez
na escola comum ainda é visto com muito preconceito, desvalorizando o potencial
dessas pessoas em relação a aprendizagem. E, ao ingressar, muitas vezes não
obtém o sucesso esperado. Damázio( 2005, p. 48) nos chama a atenção para uma
questão que pode explicar esse fracasso.
[...] O problema da educação das
pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado nessa ou naquela língua, como
ficou até agora, mas deve levar-nos a compreender que o fracasso escolar não
está só nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas
pedagógicas.[...]
Sabemos que a pessoa com
surdez é capaz como ser de consciência, pensamento e linguagem e que,
independente da sua perda sensorial pode sim aprender, o que falta são práticas
pedagógicas diferenciadas, meios alternativos para que a aprendizagem aconteça
de fato.
No Brasil, o Decreto 5.626 de 05 de
Dezembro de 2005, determina o direito de uma educação que garanta a formação a
pessoa com surdez, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa,
principalmente na modalidade escrita, constituam línguas de instrução , e que o
acesso às duas línguas ocorra de forma simultânea no ambiente escolar,
colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo.
O trabalho pedagógico com os alunos
com surdez nas escolas comuns, deve ser desenvolvido em um ambiente bilíngue,
dividido em três momentos: Atendimento Educacional Especializado em Libras, em
que todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares, são
explicados nessa língua por um professor, sendo o mesmo preferencialmente surdo,
contribuindo para que o aluno com surdez participe das aulas, compreendendo o
que é tratado pelo professor e interagindo com os colegas; Atendimento
Educacional Especializado para o ensino de Libras, no qual os alunos com surdez
terão aula de Libras, favorecendo o conhecimento e a aquisição principalmente
de termos científicos e o Atendimento Educacional Especializado para o ensino
da Língua Portuguesa, cujo objetivo é desenvolver a competência linguística,
bem como textual, dos alunos com surdez, para que sejam capazes de ler e
escrever em Língua Portuguesa.